Programa escutar e pensar

       Desde maio de 2006, o então Núcleo Psicanalítico de Fortaleza, hoje Grupo de Estudos Psicanalíticos de Fortaleza, vem apresentando na Rádio Universitária FM 107.9 o Programa Escutar e Pensar. Este programa foi criado, há vários anos atrás, pela Dra. Sônia Eva Tucherman, da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro, que o apresenta através da Rádio MEC e que nos autorizou a realizá-lo aqui em Fortaleza também.

       Consta ele, aqui, de quatro mensagens semanais, de três minutos cada, que vão ao ar às 13:55 horas, de segunda a quinta-feira, e de um debate de uma hora, às sextas-feiras, das 14:00 às 15:00 horas.

      O ouvinte participa, com perguntas e comentários, pelo telefone 3366-7474 e, atualmente, está se iniciando também a participação através do e-mail escutarepensar@gmail.com

        A cada semana, através das mensagens e debate, é desenvolvido algum tema que possa trazer para o ouvinte, muitas vezes de bairros bem humildes da cidade, uma contribuição dos conhecimentos psicanalíticos para a sua vida prática. Angústia, timidez, medo, esperança, saúde mental, pânico, função materna e paterna, por exemplo, veem-se abordados, mais de uma vez, por diferentes convidados. Em linguagem simples, sem termos técnicos, procura-se enfatizar para o ouvinte conceitos básicos como o da necessidade de firmeza e não de violência física para com os filhos, e o da importância do cuidado amoroso para com o bebê.

        Procura-se também fazer o ouvinte refletir sobre temas culturais, sobre elementos importantes do mundo em que está inserido. E, então, se abordam temas como a importância da Bíblia, dos livros e da pintura, passeia-se pelo mundo virtual do computador aos seus substitutos modernos, visualiza-se o índio e o negro no Brasil, discutem-se realidades como a inclusão, o alcoolismo, o tabagismo, a violência doméstica, urbana, na escola e no trânsito…

        Cada debate ou, mais propriamente, conversa, se desenvolve através de perguntas da apresentadora, feitas nos primeiros anos a três convidados e, atualmente, a dois apenas, para que tenham mais tempo para se expressar. Um destes convidados geralmente é um membro do Grupo de Estudos Psicanalíticos de Fortaleza; os demais são psiquiatras, psicólogos, psicoterapeutas, professores da Universidade Federal do Ceará, tanto do Departamento de Psicologia quanto de outros departamentos, e profissionais de áreas diversas, como o Direito, a Educação, a Comunicação Social, a Música e também voluntários de instituições que visam à promoção humana.

          As mensagens que aqui vão ao ar de início eram apenas adaptações de textos da Dra. Sônia Eva, mas agora já temos algumas de autoria de membros do GEPFOR como a Dra Regina Esteves, e também da própria apresentadora atual do programa, Maria Livia Marchon. Esta, além de preparar e enviar previamente aos convidados as perguntas que lhes irá fazer, vem também escrevendo reflexões sobre alguns dos temas abordados.

         Cartazes sobre os temas semanais vêm sendo feitos desde 2007. Primeiramente eram feitos pela própria apresentadora, impressos e distribuídos em vários locais como hospitais, clínicas e colégios. Atualmente são elaborados pela assistente administrativa Auricélia Aragão Velásquez, sob a orientação da apresentadora, e enviados por e-mail para muitas pessoas, entre elas os convidados que já participaram do programa.

        Tereza Mônica Bastos, psicanalista do GEPFOR, foi quem implantou o programa em Fortaleza, em 2006, apresentando-o e coordenando-o, junto com o Dr. Valton de Miranda Leitão, até setembro de 2007. Desta data até hoje, o programa vem sendo produzido e apresentado pela Professora Maria Livia Marchon, que também o coordena, junto com o Dr. Valton e a mesma Mônica, contando com o apoio de Regina Esteves e Lourdes Negreiros, membros do GEPFOR, e Vanda Magalhães Leitão, Doutora em Educação e professora da UFC.

        Entre os convidados que são membros do GEPFOR já participaram muitas vezes Roberta Bezerra de Meneses Pinheiro, Roberto Nóbrega Teixeira, Barbosa Coutinho, Regina Esteves, Lourdes Negreiros, Francisco Vale, Erbon Elbsocaierbe de Araujo, Rosane Müller, Sônia Lobo, Marúcia Benevides, Bárbara Facó, Karina Rodrigues. Por motivo de vários compromissos, infelizmente, alguns membros participaram poucas vezes.

       Muitas vezes tivemos a presença de psicoterapeutas da Escola de Psicoterapia Psicanalítica de Fortaleza, tais como Marcela Ranier, Fátima Lusanir Rocha,Beatriz Jucá,Iolanda Mendes de Oliveira, Hanna Ávila.

      Abrilhantaram nosso programa professores da Universidade Federal do Ceará, tanto do Departamento de Psicologia, como Cássio Adriano Braz Aquino,Antônio Caubi Ribeiro Tupinambá, Maria de Fátima Vieira Severiano, João Ilo Coelho Barbosa,José Célio Freire, Susana Kramer, Orlando Soeiro Cruxen, Gustavo A. Pereira de Moura, Fátima Sena, como também de outros Departamentos, tais como Nonato Lima, Diretor da Rádio Universitária, e Ricardo Jorge, ambos do Departamento de Comunicação Social, Álvaro Madeiro Leite  e Almir de Castro Neves Filho, da Pediatria, Ana Frota, da Economia Doméstica, Vanda Magalhães Leitão e Ercília M.Braga de Olinda, Doutoras em Educação da UFC, Linhares Filho, Roberto Pontes, Ana Márcia Alves Siqueira e Stélio Torquato Lima, do Departamento de Literatura.

     Pudemos contar com a presença de vários médicos cearenses, como o Mestre em Psiquiatria Luiz Carlos Valente e os psiquiatras Orlando Monteiro, Gilmário Holanda, Raimundo Alonso Batista de Aquino, Fábio Gomes de Matos e Souza, José Alves Gurgel, Sílvia Dummar, e também representantes de outras especialidades, tais como Tales Coelho Sampaio, médico de família e comunidade, Juvêncio Câmara, pneumonologista, Lineu Jucá, angiologista, Aroldo Escudeiro, tanatólogo, Francisco Simão, médico-legista, Dirlene Mafalda Silveira e Aluízio Soares, genicologistas, Ivaldo Miranda Feitosa, otorrino, Túlio Osterne, especialista em terapia da dor.

     Do Jornalismo tivemos o Editor Sênior do jornal O Povo Valdemar Menezes. Do campo artístico, pudemos contar, entre outras pessoas, com o cantor, compositor e arquiteto  Fausto Nilo, assim como com o artista plástico Bandeira Lima,  a jornalista, artista e cantora Marta Aurélia, e dois psiquiatras escritores, Wellington Alves e Weimar Gomes.

   Do campo jurídico tivemos a participação de Promotores de Justiça que se destacam também por seu trabalho em prol dos jovens pobres: Marcus Vinícius Amorim Oliveira, Hugo Lucena e Marcelo Pires.

    Por seu importante trabalho voluntário de promoção humana das pessoas carentes não poderíamos esquecer Magnólia Almeida, educadora, a Irmã Leônia Lima, alma da Associação Pequeno Mundo, do Padre Andrade, e Airton Barreto, responsável pela existência do Movimento Emaús aqui em Fortaleza.

    O programa Escutar e Pensar vem tendo boa receptividade da parte de fortalezenses de bairros variados como Aldeota, Álvaro Weyne, Henrique Jorge, Jardim América, Joaquim Távora, e das mais diversas profissões, tais como médicos, psicólogos, professores universitários, funcionários públicos, jornalistas, costureiras, artesãos, artistas plásticos e manobristas. Sabemos as profissões e os bairros porque muitos ouvintes que telefonam para fazer perguntas ou comentários o informam quando lhes perguntamos. Já houve pessoas ligando de Sobral e Beberibe. Agora, em 2013, está começando pouco a pouco a participação de ouvintes também através de e-mail.

        O número de ouvintes que participam por telefone varia, mas muitas vezes temos de quatro a sete pessoas (houve dias até com onze), e várias parabenizam o programa.

    Selecionamos, aqui, com prazer, alguns comentários e perguntas de ouvintes, que mostram como estamos atingindo grupos sociais bem diferenciados e realizando algo útil à comunidade, fato que nos incentiva a continuar nosso trabalho.

DIA: 04/02/2011: TEMA: ESPERANÇA

Pedro Alexandre, de Aluísio Borba, estudante:

 “Como uma pessoa pode ter esperança em uma vida em que não acredita mais?”

Francisco Bento de Souza, do Meireles, alfaiate:

“Tenho 59 anos e acho que minha vida começa hoje, pois tenho grande esperança”.

DIA: 08/04/2011: TEMA: ARROGÂNCIA

Eduarda Gomes, do bairro de Fátima, dentista:

 “Parabenizo o programa, pois ele é muito enriquecedor e ajuda a muitas pessoas”.

DIA: 03/06/2011: TEMA: TABAGISMO

 Cláudio, de José Walter, relojoeiro:

“Fumo mais de uma carteira de cigarros por dia. Tenho um bebê de três anos e nunca tinha parado para pensar por que a criança vive doente, com gripe e tosse. O médico nunca perguntou se tinha fumante em casa. Agradeço ao programa pelo serviço prestado a mim, ao meu filho e à comunidade”.

DIA: 26/08/2011: TEMA: ÉTICA

Verônica, da Aldeota, psicóloga:

 “É de programas desse nível que nossa sociedade precisa. Parabéns a todos.”

Lúcia, da Cidade dos Funcionários, professora universitária e economista:

“Parabenizo a Rádio e as debatedoras pelo programa. Peço que façam mais vezes programa sobre ética. O debate está muito rico e interessante.”

DIA: 02/12/2011: TEMA: PRESSA

Gaúcho, do Montese, comerciante:

 “Parabenizo o programa e também a Rádio Universitária, pois prestam um serviço muito importante para a comunidade.”

DIA: 16/12/2011: TEMA: VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO

Camila, de Guararapes, estudante:

“Parabenizo o programa e também o Doutor Lineu Jucá por todas as informações passadas à sociedade. Os governantes deveriam estar ouvindo este programa hoje e que bom seria se pelo menos 1% de tudo o que ele falou pudesse ser implantado; só assim poderíamos ter um trânsito mais educado.”

Penélope  Malveira, de Sobral, Delegada de Polícia:

“Parabenizo o programa. No interior, o poder aquisitivo das pessoas aumentou por conta dos programas do governo e, com isso, qualquer pessoa compra uma moto. Deveria haver um controle, de modo que somente pessoas com carteira de habilitação pudessem comprar um veículo.”

DIA: 10/02/2012: TEMA: A IMPORTÂNCIA DOS LIVROS

Gisela Camarão, professora de Medicina da UFC:

“Parabenizo o programa. Fiquei emocionada com o comentário sobre José Saramago.”

Orlando, da Aldeota, professor de Educação Física:

“Gostar de ler José Mauro de Vasconcelos é antiquado? Já não existe mais espaço para o romantismo?”

Priscila, do Álvaro Weine, costureira:

“Parabenizo o programa. Ainda existem programas bons; basta saber procurar. Parabenizo a Rádio Universitária e a apresentadora Maria Livia. Estou costurando e ouvindo com o fone de ouvido.”

Mauro, do Jardim América, comerciário:

“Freud tem algum escrito sobre a morte?”

Norma Colares, poeta e escritora:

“O programa está maravilhoso. Deveria haver um programa como esse pelo menos uma vez por mês.”

DIA: 08/03/2013: TEMA: MULHER DE ONTEM, DE HOJE, E SEMPRE

Elayne Cardoso, São João do Tauape, psicóloga:

“O que aconteceria com a criança se a mãe não for suficientemente boa?”

DIA: 15/03/2013: TEMA: PAIS E FILHOS

Ernesto Tomé, Joaquim Távora, farmacêutico:

“Parabenizo o programa e lembro a frase de Millor Fernandes:” Pais e filhos não foram feitos para serem amigos. Foram feitos para serem pais e filhos.”

DIA: 22/03/2013: TEMA: INCLUSÃO

Fernando Moreira, Praia de Iracema, funcionário público:

“Quando uma pessoa nasce com dois sexos, a família pode escolher ou depende do médico?

Um abraço para a Dra. Livia”

DIA: 05/04/2013: TEMA: EMPATIA E SOLIDARIEDADE

Elayne Cardoso, São João do Tauape, psicóloga:

“Parabenizo o programa. O Airton Barreto (do Movimento Emaús) está de parabéns.”

DIA: 19/04/2013: TEMA: SEPARAÇÃO DOS PAIS

Evelise Pontes, pedagoga:

“Parabenizo o programa e a Rádio Universitária pela qualidade do programa.”

Fernando Moreira, Centro, funcionário público:

“Hoje não é um programa e sim uma aula.”

DIA: 26/04/2013: TEMA: MUNDO VIRTUAL E INTERATIVIDADE

Elyane Cardoso, São João do Tauape, psicóloga:

“Parabenizo o programa e pergunto se o mundo virtual não seria um novo tipo de escravidão?”

 Seguem exemplos de MENSAGENS escritas por membro do GEPFOR e pela apresentadora:

MENSAGENS – ESCUTAR E PENSAR 

TEMA: ALCOOLISMO

AUTORA: Regina Esteves

 SEGUNDA-FEIRA – 09/03/2009 (351 palavras)

Olá, ouvinte da Rádio Universitária FM. Na mensagem Escutar e Pensar, vamos falar sobre você e o mundo à sua volta.

Grandes homens ou mulheres, no mundo todo, foram ou são dependentes do álcool. Vamos tomar, como exemplo, os escritores. Dos sete escritores americanos que, até 2007, receberam o prêmio Nobel de Literatura, cinco tinham problemas de alcoolismo.

Assim como os escritores, poderíamos falar também dos artistas, de um modo geral. É comum ficarmos sabendo pelos noticiários que cantores, atores, músicos, entre outros, estando alcoolizados, cometeram infrações que, se supõe, não cometeriam se estivessem sóbrios.

Poderíamos perguntar se o álcool serviria de fonte de inspiração, já que é grande o número de artistas e, entre esses, os escritores, dependentes do álcool. A resposta é: não, o álcool não é fonte de inspiração. Segundo pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisas em Álcool da Universidade da Califórnia, os alcoolistas são menos criativos que os abstêmios.

É provável que, se fizermos uma pesquisa sobre a prevalência do uso do álcool entre populações específicas, como é o caso, por exemplo, dos artistas, não encontremos diferença significativa entre essas e o restante da população. Uma das explicações seria a de que a predisposição genética está presente aleatoriamente nos indivíduos, portanto, não selecionando o indivíduo que pertence a esse ou aquele grupo. Encontramos alcoolistas nas diferentes classes socioeconômicas, entre homens e mulheres, entre jovens e adultos.

O consumo de álcool tem sido constatado nos mais diversos encontros. Em festas de comemorações, por exemplo, calcula-se a quantidade de cerveja multiplicando-se o número de pessoas por dúzias, em vez de unidades. Em festas de aniversário de crianças, circulam bandejas e bandejas de bebidas alcoólicas. Constata-se, ainda, que o consumo de álcool está acontecendo cada vez mais cedo e em maior quantidade. É comum observar-se pré-adolescentes embriagados em todas as classes sociais. Parece que só se pode ter prazer em um encontro social se se fizer uso de bebida.

Pense nisso, ouvinte, e até amanhã, com mais uma mensagem Escutar e Pensar. E, na sexta-feira, com o debate ao vivo, às duas horas da tarde, aqui, na Rádio Universitária FM.

TERÇA-FEIRA – 10/03/2009  (349 palavras)

Olá, ouvinte da Rádio Universitária FM. Na mensagem Escutar e Pensar, vamos falar sobre você e o mundo à sua volta.

De um modo geral, o alcoolista sabe que o álcool faz mal à saúde, que coloca a pessoa em situações de risco, como acidentes, homicídios e suicídios, e que provoca o sofrimento e o afastamento das pessoas com quem convive. Entretanto, apesar de saber de tudo isso, o alcoolista continua fazendo uso do álcool.

As causas do uso excessivo de álcool são várias, mas vamos nos ater a dois fatores: as características de personalidade e o ambiente. Esses fatores são difíceis de ser desvinculados e parece que não podemos falar de um, sem nos referirmos ao outro.

Se pensarmos na embriaguez precoce, ou seja, no uso de álcool por meninos e meninas cada vez mais jovens, podemos levantar a hipótese de que, para serem aceitos no grupo, os adolescentes se sentem pressionados a se comportar como os demais. E a lei dos demais é o consumo de álcool. Será simplesmente um comportamento imitativo, para pertencer ao grupo? Se assim for, por que alguns desses jovens não aderem a esse comportamento?

Parece que a diferença se encontra na possibilidade de pensar. E a capacidade de pensar se desenvolve desde muito cedo, promovida inicialmente pelos pais e, depois, pelos outros educadores, sejam eles educadores escolares ou não. A criança que, desde cedo, tem oportunidade de esclarecer suas dúvidas, de satisfazer sua curiosidade a respeito de si mesma e do mundo, de refletir sobre as consequências de seus atos e dos demais, essa criança, quando maior e diante da escolha entre beber ou não, terá maior probabilidade de fazer a opção pelo não uso do álcool.

Mas para isso, é preciso que os pais e os outros educadores promovam um ambiente de acolhimento e escuta, além da colocação de regras e limites, que promovem um crescimento mais sadio e satisfatório.

Pense nisso, ouvinte, e até amanhã, com mais uma mensagem Escutar e Pensar. E, na sexta-feira, com o debate ao vivo, às duas horas da tarde, aqui, na Rádio Universitária FM.

 QUARTA-FEIRA – 11/03/2009   (351 palavras)

Olá, ouvinte da Rádio Universitária FM. Na mensagem Escutar e Pensar, vamos falar sobre você e o mundo à sua volta.

Houve épocas em que a sociedade, através da tradição, oferecia referências, fronteiras e respostas. Parece que a época em que vivemos carece de certezas. Delineia-se uma sociedade sem lógica consistente, construída sobre contradições, sem síntese possível. Com as crianças e os adolescentes, somos permissivos e superprotetores; pregamos o sucesso a qualquer preço e não os ensinamos a lidarem com a frustração; criamos necessidades e as descartamos rapidamente; insistimos na busca da felicidade e não aventamos que as dificuldades fazem parte da vida; apelamos para a lei e o dever como recurso para resolver problemas que nos atingem, mas esquecemos lei e dever em nosso mundo particular. Com comportamentos como esses, adiamos a autonomia e a responsabilidade das crianças e dos adolescentes, instigamos o excesso, que acaba por refletir no consumo desregrado de objetos, de comida e de álcool.

Muitos pais não compreendem os comportamentos inadequados e desafiadores de seus filhos. Queixam-se de que os filhos não os obedecem, não estudam, preferem estar na rua a estar em família, adotam modos de vestir-se e comportar-se que os pais nunca aprovaram. É possível que encontremos as explicações desses comportamentos na própria dinâmica familiar, nos valores e exemplos observados pelos filhos.

Por exemplo, há pais que se indignam com o estado de embriaguez dos filhos quando voltam das festas. Mas mantêm, em seus lares, várias garrafas de bebida e delas fazem uso frequentemente. Parece que se baseiam no ditado: “faça o que eu mando e não faça o que eu faço”.

Se quisermos que as crianças e os jovens nos respeitem, é necessário que criemos condições para a construção interna de valores, ou seja, que desenvolvam uma consciência de responsabilidades de dentro para fora. E isso se faz com exemplos e em ambientes onde há a possibilidade de se conversar e pensar.

Pense nisso, ouvinte, e até amanhã, com mais uma mensagem Escutar e Pensar. E, na sexta-feira, com o debate ao vivo, às duas horas da tarde, aqui, na Rádio Universitária FM.

 QUINTA-FEIRA – 12/03/2009      (350 palavras)

 Olá, ouvinte da Rádio Universitária FM. Na mensagem Escutar e Pensar, vamos falar sobre você e o mundo à sua volta.

Podemos nos perguntar por que há maior tolerância com o uso do álcool do que com os outros tipos de droga. Poderíamos pensar que é porque o uso moderado do álcool aparentemente não traz prejuízos para quem bebe, nem para os que o cercam.   Desse modo, parece que a responsabilidade pelo excesso do consumo de álcool é inteiramente da pessoa que, por um motivo ou outro, resolveu se exceder. Mas a medicina e a psicologia tratam o alcoolismo como uma doença que necessita de tratamento, e os estudos sociológicos apontam fatores que fogem ao controle da vontade do indivíduo, como é o caso da propaganda maciça que alia a bebida à conquista de ganhos internos e externos.

A ingestão de álcool provoca um estado provisório de euforia ou de desligamento das dificuldades pessoais ou sociais do indivíduo. Diz-se que, depois da segunda dose, qualquer um começa a sentir-se interessante e que, depois da terceira, crê plenamente em sua capacidade de tomar decisões. Tais decisões, entretanto, podem trazer sérios danos à própria pessoa ou aos que a cercam.

Atualmente, embriagar-se, entre os jovens, e sair ileso de certos perigos, parece ser considerado uma façanha virtuosa, um ato heroico. Grande parte desses perigos encontra-se no trânsito. Conseguir driblar a fiscalização, ultrapassar o sinal vermelho, dirigir além do limite de velocidade e participar de “rachas” em avenidas, são exemplos de atitudes narradas com ares de heroísmo e, quase sempre, aplaudidas pelo grupo. Muitos jovens são contra a lei seca, pois a consideram extremamente radical e acreditam poder controlar seus atos mesmo após a ingestão de muito álcool.

Esses mesmos jovens, se questionados a respeito da liberdade do médico cirurgião ou do piloto de avião para fazer uso de bebida alcoólica antes da cirurgia ou da decolagem, provavelmente diriam tratar-se de irresponsabilidade, principalmente se o paciente ou o passageiro fossem eles próprios.

Pense nisso, ouvinte, e até amanhã, com o debate ao vivo, às duas horas da tarde, aqui, na Rádio Universitária FM.

TEMA: A IMPORTÂNCIA DOS LIVROS (Ler é importante)

AUTORA: Maria Livia Marchon

 SEGUNDA-FEIRA  26/04/2010         (351 palavras)         

Olá, ouvinte da Rádio Universitária FM. Na mensagem Escutar e Pensar vamos falar sobre você e o mundo à sua volta.

Você já parou para pensar sobre a importância dos livros? Atualmente muitas pessoas leem poucos livros e pequenos. Será que estamos aproveitando bem essa conquista humana que são os livros?

Nem sempre existiu a escrita. O tempo que chamamos de Pré-História é muito maior que o histórico, o posterior à criação da escrita. Os habitantes das cavernas pré-históricas faziam pinturas para expressar ações de suas vidas, como as caçadas, e preocupações, como a de sair vivo das mesmas.

Sendo inventada a linguagem escrita, ela de início foi usada para facilitar o controle dos estoques de produtos sobrantes, como o trigo, o azeite e para facilitar a troca dos mesmos. Com o tempo, essa linguagem foi-se desenvolvendo e os homens passaram a usá-la para se expressar. Vendo as forças da natureza, como o sol e a chuva, como deuses poderosos, de que dependiam, nada mais natural que entoassem cantos às mesmas para homenageá-las e proteger-se. Sentindo ternura pelo sexo oposto, tristeza pela morte de um ente querido, alegria por uma vitória na guerra, alguns homens, mais sensíveis, conseguiram expressar por palavras, de início só faladas, depois escritas, essas emoções comuns à espécie humana.

Animais não pintam, não escrevem nem leem livros. Transformar sentimentos em cores e formas, bem como em palavras são atividades exclusivamente do homem e o ajudam a se afirmar como ser humano.

Quem escreve um livro busca comunicar a outros o que lhe vai na alma. Como diz o grande estudioso Umberto Eco, o escritor é como alguém jogando uma garrafa com uma mensagem no mar. Algum dia, algum leitor poderá encontrar a si mesmo na obra lida: “Puxa! Como conseguiram expressar o que eu penso e sinto!”

Vamos aproveitar os livros, que nos ajudam a transformar em palavras nossos sentimentos e a pensar sobre os mesmos.

Pense nisso, ouvinte e até amanhã com mais uma mensagem Escutar e Pensar e na sexta-feira, com nosso debate ao vivo, às duas da tarde, aqui, na Rádio Universitária FM.

 TERÇA-FEIRA      27/04/2010  (346  palavras)

Olá, ouvinte da Rádio Universitária FM. Na mensagem Escutar e Pensar vamos falar sobre você e o mundo à sua volta.

Os livros servem para o ser humano se expressar e se comunicar com os outros. Mas, como tudo o que este ser livre tem à sua disposição, eles podem ser usados para o bem, ou para o mal, para criar desertos ou pontes. E podem ser feitos com capricho e trabalho artístico, ou de qualquer jeito.  Precisamos, então, desenvolver o espírito crítico para distinguir, nos livros, o joio do trigo, o que pode nos ajudar a ser melhores, mais humanos, ou piores, mais animalescos. Um livro pode ajudar a promover a vida, como os Evangelhos, ou promover a destruição e a morte.

Como escolher um bom livro? Um bom critério para ver o valor de uma obra é a sua permanência através dos séculos. Assim como existem músicas que muitas gerações cantam e ouvem e outras, descartáveis, que logo são esquecidas, há livros feitos sem escolha do que se diz e do como se diz e que passam como nuvem e outros que permanecem, pois homens de várias épocas e lugares sempre se encantam com o que eles dizem e seu modo de dizer. Se a Ilíada e a Odisséia de Homero, obras lá do século VIII ou IX antes de Cristo continuam a ser lidas e a inspirar novos livros, peças de teatro e filmes, é porque retratam, de forma caprichada, aspectos eternos do ser humano.

Ruth Rocha adaptou, primorosamente, para crianças e adolescentes, as duas epopeias de Homero, mostrando como essas obras continuam jovens. E, por falar no público mirim, é interessante lembrar como os livros podem servir para a união entre pais e filhos. Qual o adulto que não recorda, com prazer, as leituras, muitas vezes na hora de dormir, que seus pais lhe faziam de contos de fadas e outros livros infantis?

Pense nisso, ouvinte e até amanhã com mais uma mensagem Escutar e Pensar e na sexta-feira, com nosso debate ao vivo, às duas da tarde, aqui, na Rádio Universitária FM.

 QUARTA-FEIRA  28 /04 / 2010     (340  palavras)

Olá, ouvinte da Rádio Universitária FM. Na mensagem Escutar e Pensar vamos falar sobre você e o mundo à sua volta

François Truffaut, em seu filme Fahrenheit 451, mostra um mundo em que os livros são vistos como inimigo público número 1 e os bombeiros, em vez de apagar incêndios, têm a função de descobrir livros, queimá-los e prender seus donos. Por que isso acontece? Livros fazem chorar, fazem pensar, são perigosos…

Os livros se ligam firmemente à liberdade de pensamento. Daí os regimes totalitários, como o Nazismo, ao visar à obediência cega dos cidadãos, perseguirem os livros, fazerem queima dos mesmos em praça pública. Quem lê com atenção um livro, ou as notícias em um jornal, percebe o que está nas entrelinhas, compara, reflete, chega a conclusões. É diferente de apenas ouvir discursos inflamados de líderes políticos.

O filósofo grego Platão, em seu livro A República, embora reconhecendo a beleza dos textos de Homero, expulsaria a este e a outros poetas da sua cidade ideal por darem “maus exemplos” aos cidadãos. Como incentivar, dizia ele, os soldados a lutarem e morrerem pela pátria, se os heróis homéricos choram diante da morte, própria ou de amigos? Ninguém ama a morte, Homero mostra essa verdade humana. E ela é perigosa, não incentiva as ações guerreiras.

Livros e jornais constituem armas importantes na luta por ideais de justiça e liberdade. Poemas como “O Navio Negreiro”, de Castro Alves, contribuíram muito para a abolição da escravatura negra. Faziam pensar sobre o sofrimento atroz dos escravos e incentivavam as pessoas a lutar contra a mesma.

Livros podem convidar ao espírito crítico, à reflexão, com vistas a melhorar a sociedade humana. O Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, por exemplo, denuncia o consumismo moderno e o egoísmo que leva o homem a ser o lobo do homem. Procura nos fazer acordar para problemas humanos, enxergá-los e lutar pela união entre os homens.

Pense nisso, ouvinte e até amanhã com mais uma mensagem Escutar e Pensar e na sexta-feira, com nosso debate ao vivo, às duas da tarde.

 QUINTA-FEIRA -  29/04/2010        (361 palavras)

Olá, ouvinte da Rádio Universitária FM. Na mensagem Escutar e Pensar vamos falar sobre você e o mundo à sua volta.

Você já pensou, ouvinte, como seria difícil tomar um ônibus ou assinar um papel sem saber ler?

O simples fato de saber ler já é muito importante e facilita a vida. Mas é preciso também desenvolver o hábito da leitura de livros bons, que ajudem a pensar sobre o homem e contribuam, por seu incentivo ou sua denúncia, ou pela simples verdade humana que retratam, para fazer os homens mais humanos e solidários.

Os livros podem ser um instrumento maravilhoso de humanização.

Hoje em dia, pobres e ricos leem pouco, escrevem pouco textos caprichados e pensados. Predomina a comunicação rápida, não da carta, mas do e-mail.

Mas sempre houve e ainda há pessoas que valorizam os livros e estas surgem, várias vezes, em ambientes humildes.

Patativa do Assaré escolheu o livro para expressar sua alma nordestina.

Machado de Assis, oriundo de um morro carioca, mulato, pobre, epilético, esforçou-se muito e chegou a tornar-se um mestre da língua portuguesa e o maior escritor brasileiro. José Saramago, português, filho de camponeses, teve uma infância extremamente pobre, foi operário e serralheiro, mas se esforçou muito e se tornou muito culto e um grande romancista da atualidade, prêmio Nobel de literatura.

E há outros exemplos, bem menos conhecidos e famosos, mas igualmente louváveis, como o daquele catador de lixo em São Paulo. Nordestino pobre, como tantos, foi para a grande cidade. Havia aprendido a ler e escrever, com muito esforço. Sabia que Machado de Assis era um grande autor nacional. Um dia, viu um livro de Machado jogado no lixo. Que crime!, pensou ele. Salvou o livro e, a partir daí, começou a salvar outros livros que encontrava. Acabou formando uma biblioteca bem grande. E não só lia, como também incentivava seus colegas catadores de lixo a ler. Mostrava como, através da leitura, podiam fugir da sua realidade dolorosa para mundos melhores em que viviam, pela imaginação, prazerosas aventuras.

Pense nisso, ouvinte e até amanhã com mais uma mensagem Escutar e Pensar e na sexta-feira, com nosso debate ao vivo, às duas da tarde, aqui na Rádio Universitária FM.

Seguem-se exemplos de PERGUNTAS preparadas pela apresentadora e enviadas previamente aos convidados:

TEMA: DROGAS – Programa  de 11/05/2012

AUTORA: Maria Livia Marchon

Em época de Dia das Mães, ficamos a pensar nas mães e pais que choram devido ao gravíssimo problema das drogas.     Quantas famílias hoje sofrem ao ver filhos perderem a vida brutalmente em situações ligadas às drogas. Muitas vezes, se chora por um jovem bom, estudioso e trabalhador que se vê friamente assassinado por um adolescente pobre e já envolvido no tráfico. Muitas vezes, é a mãe pobre, da favela, que vê seu filho ser morto após se ter envolvido com traficantes e, ter-se acostumado a roubar e matar.

Muitas famílias possuem filhos envolvidos no uso de drogas, mas muitas não têm. O que vocês aconselhariam aos pais para prevenir o problema das drogas em suas casas?

Os pais que têm posses e já fizeram a triste descoberta de que seus filhos estão usando drogas onde podem buscar ajuda ? E os pais pobres?

Segundo vocês, o que, em geral, leva os jovens a se drogarem? E como se poderia tentar diminuir esses fatores?

Que exemplos vocês poderiam nos trazer de jovens que já conseguiram vencer o grave problema do uso de drogas?

Drogas alteradoras da consciência há muito tempo exercem atração sobre o homem. No início do século XX, quando o ópio e a cocaína ainda não eram proibidos, havia clubes de tomadores de ópio. Sabemos que as crianças adoram brincar de corrupio, de girar até perder o equilíbrio e se sentir caindo. Será essa uma tendência humana?Será possível evitar que muitas pessoas partam para a droga a fim de fugir da realidade comum e buscar realidades novas e estonteantes?  O que tentar fazer frente a esse limite para nossa ação?

Será que nossa atual lei das drogas não está tratando o problema das drogas como um fato policial, enquanto ele é, sobretudo, um problema médico, um problema de saúde pública?

Muitos poderão objetar que no Brasil, com o descaso das autoridades pela saúde pública, não existem leitos suficientes para os doentes comuns. Como arranjar, então, lugares públicos e gratuitos para tratamento de dependentes do álcool e das drogas ilícitas, que necessitam de cuidados muito especializados?

Poderão surtir efeito permanente medicamentos contra as drogas usados sozinhos, sem um acompanhamento psicológico que busque identificar o porquê da queda naquele vício?

Que conselho final vocês poderiam deixar aos pais, nesta nossa época de tanto uso de drogas?

Já disse alguém que o meu direito termina quando começa o direito do outro.Por muito tempo os fumantes obrigaram os não fumantes, ou fumantes passivos, a fumar com eles. Com uma forte conscientização as pessoas acordaram para esse grave problema. O rapaz rico que usa drogas está colocando uma arma de fogo na mão de um rapaz pobre traficante. Como tentar conscientizar os jovens a respeito dessa sua pretensa liberdade para se drogar?

A seguir podem ser visualizados alguns cartazes antigos e atuais de divulgação do programa:

Confira os programas que já foram ao ar: